A pergunta que mais recebo de leitores é sempre alguma variação da mesma coisa: “qual celular comprar para fotografar bem sem gastar uma fortuna?” É uma pergunta honesta, e merece uma resposta honesta — sem “depende” vago e sem lista patrocinada que coloca no topo o que paga mais comissão. Testei e pesquisei os principais modelos de entrada disponíveis no Brasil em 2026 na faixa até R$ 1.500. O critério foi um só: desempenho real de câmera para fotografia do dia a dia — retratos, paisagens, ambientes com pouca luz, e flexibilidade para quem quer ir além do automático.
O Que Realmente Importa na Câmera de um Celular de Entrada
Antes de comparar modelos, uma coisa precisa ficar clara: megapixel não é qualidade de foto. Um sensor de 108MP com abertura f/2.2 perde para um de 50MP com f/1.8 em luz baixa toda vez. O que importa de verdade é o tamanho do pixel, a abertura da lente, a qualidade do processamento de imagem e a existência de modo Pro para controle manual.
Nessa faixa de preço, nenhum celular tem teleobjetiva dedicada de verdade — o zoom óptico é exceção rara. O que varia é a qualidade da câmera principal, a performance em ambientes escuros, e o nível de controle que o aplicativo de câmera oferece.
Samsung Galaxy A15 — O Equilibrado (a partir de R$ 950)
O A15 é o ponto de entrada da linha Galaxy com câmera de 50MP e abertura f/1.8 — uma das mais abertas nessa faixa de preço, o que ajuda bastante em ambientes com pouca luz. O modo Pro é completo: ISO, velocidade do obturador, foco manual e balanço de branco todos ajustáveis.
Pontos fortes na fotografia: câmera principal consistente em luz natural, modo Pro funcional para quem quer aprender fotografia manual, cores naturais sem processamento exagerado, e desempenho sólido em retratos com o modo dedicado.
Limitações reais: sem teleobjetiva, zoom digital degrada acima de 2x, câmera ultrawide de 5MP é fraca e serve só para emergências, desempenho noturno sem tripé é mediano.
Para quem é: quem quer aprender fotografia com controle manual real, prioriza consistência e quer o ecossistema Samsung com atualizações longas.
Xiaomi Redmi Note 13 — O dos 108MP (a partir de R$ 950)
O Redmi Note 13 chega com 108MP que impressionam no papel — e na prática entregam fotos com muito detalhe em luz boa. A abertura f/1.75 é ligeiramente mais aberta que o A15, o que ajuda um pouco em ambientes escuros.
Pontos fortes: detalhe excepcional em fotos diurnas com boa luz, cropping generoso sem perda de qualidade (você pode recortar muito mais da imagem), preço competitivo e tela AMOLED que facilita avaliar as fotos na hora.
Limitações reais: o processamento de imagem da Xiaomi tende a saturar cores e aplicar nitidez excessiva — fotos ficam “impactantes” mas menos naturais. Em baixa luz, os 108MP viram 12MP por pixel binning e o resultado é similar ao A15. O modo Pro existe mas é menos intuitivo.
Para quem é: quem fotografa principalmente ao ar livre com boa luz e quer o máximo de detalhe para recortar composições depois.
Motorola Moto G84 — O da Tela OLED (a partir de R$ 1.100)
O G84 entrega algo raro nessa faixa: tela pOLED de 6,5 polegadas com 120Hz. Para fotografia, isso importa porque você avalia suas fotos numa tela com contraste real e cores mais fiéis — o que muda como você edita e compartilha.
A câmera principal é de 50MP com f/1.8, similar ao A15 em especificações, mas com processamento Motorola que tende a entregar tons de pele mais naturais em retratos. O modo Pro está presente e é funcional.
Pontos fortes: melhor tela da categoria para visualizar fotos, bateria de 5.000mAh que aguenta sessões longas de fotografia, desempenho em retratos com iluminação natural muito bom, design premium para o preço.
Limitações reais: câmera ultrawide fraca (8MP), sem modo noturno tão desenvolvido quanto Samsung, zoom digital perde qualidade acima de 2x.
Para quem é: quem valoriza a experiência completa — fotografar, editar e visualizar no próprio celular — e quer a melhor tela possível até R$ 1.200.
Samsung Galaxy A25 — O Upgrade Discreto (a partir de R$ 1.250)
O A25 é o A15 com melhorias pontuais mas importantes: tela Super AMOLED (contra LCD do A15), estabilização óptica de imagem (OIS) na câmera principal, e processamento de imagem mais refinado. Para fotografia, a OIS é o diferencial real — fotos em luz baixa sem tripé ficam visivelmente mais nítidas.
Pontos fortes: OIS faz diferença concreta em ambientes escuros e vídeos, tela Super AMOLED melhora a visualização das fotos, modo Pro completo herdado da linha Galaxy, atualizações de software garantidas por mais tempo.
Limitações reais: o salto de qualidade em relação ao A15 é real mas não dramático em luz boa — a diferença aparece mesmo em ambientes escuros. Câmera ultrawide de 8MP continua mediana.
Para quem é: quem já considerou o A15 mas fotografa frequentemente em ambientes internos ou à noite e quer aquela margem extra de qualidade sem sair da linha Galaxy.
Xiaomi Redmi Note 13 Pro — O Topo da Faixa (a partir de R$ 1.400)
O Note 13 Pro salta para 200MP com abertura f/1.69 — a mais aberta desta lista — e adiciona OIS. Na prática, é o celular com maior potencial bruto de câmera nessa faixa de preço. Em luz boa, o nível de detalhe é impressionante.
Pontos fortes: câmera principal de alto desempenho em luz boa, abertura f/1.69 com OIS é combinação rara até R$ 1.500, tela AMOLED de 120Hz, carregamento rápido de 67W.
Limitações reais: processamento Xiaomi continua saturando cores — fotos ficam chamativas mas pedem ajuste de edição para parecerem naturais. Software de câmera menos intuitivo que Samsung para quem está aprendendo.
Para quem é: quem quer o máximo de especificação de câmera possível até R$ 1.500 e não se importa de editar as fotos para corrigir o processamento automático.
Comparativo Rápido
Melhor câmera em luz boa: Redmi Note 13 Pro
Melhor para aprender fotografia manual: Galaxy A15 ou A25
Melhor tela para visualizar fotos: Moto G84
Melhor custo-benefício: Galaxy A15
Melhor upgrade com OIS: Galaxy A25
Maior potencial técnico: Redmi Note 13 Pro
Qual Escolher?
Se você quer aprender fotografia com controle manual e não quer gastar mais do que o necessário: Galaxy A15. É o ponto de entrada mais equilibrado, com modo Pro funcional e câmera consistente.
Se fotografa muito em ambientes escuros ou internos: Galaxy A25. A OIS justifica o preço extra nesse caso específico.
Se quer a melhor tela para visualizar e editar no celular: Moto G84. A tela pOLED muda a experiência de ver as próprias fotos.
Se quer o máximo de câmera possível até R$ 1.500 e está disposto a editar: Redmi Note 13 Pro.
Nenhum desses celulares vai te decepcionar se você entender as limitações de cada um. O que faz a maior diferença no resultado final não é o modelo — é saber usar o modo Pro, entender a luz, e ter paciência para experimentar. Qualquer um dessa lista, nas mãos de alguém que estuda fotografia, entrega fotos que surpreendem.




